| 17/03/2010
Conselho
Seccional aponta problemas do processo eletrônico
e reitera necessidade de aperfeiçoamento do sistema
Advogados presentes na reunião
da última sexta-feira (12) apontaram dificuldades
no uso do E-Proc, expressaram preocupação
com perdas de prazos processuais e com a limitação
do mecanismo para anexar e enviar documentos.
O Conselho Seccional da OAB/RS, na sessão
ordinária da última sexta-feira (12), no 14º
andar da sede da entidade, reiterou a necessidade de aperfeiçoamento
do sistema de processo eletrônico da Justiça
Federal.
Referendando a manifestação
do presidente da Ordem gaúcha, Claudio Lamachia,
que na última semana defendeu a aplicação
de uma fase experimental do processo eletrônico para
aperfeiçoamento do sistema, os conselheiros seccionais
e federais presentes na reunião apontaram problemas
no uso do E-Proc e expressaram preocupação
com perdas de prazos processuais e com as dificuldades técnicas
para impetrar recursos pelo mecanismo.
O tema foi levantado pelo conselheiro
seccional Carlos Thomaz Ávila Albornoz, que relatou
problemas que a classe vem enfrentando com a aplicação
imediata do processo eletrônico pela Justiça
Federal. “Os advogados não estão adaptados
por completo ao E-Proc, e o sistema não está
perfeito para ser o único meio de acesso ao Tribunal
para ajuizamento e tramitação de ações”,
ressaltou Albornoz.
Apoiando a manifestação
de Albornoz, o conselheiro seccional Darci Norte Rebelo
Júnior destacou como uma das principais dificuldades
enfrentadas pelos advogados a limitação imposta
pela JF para anexar e enviar documentos pelo sistema. “O
problema é que não houve uma fase de testes
e aperfeiçoamento do mecanismo. Estamos apreensivos,
pois, a partir do dia 30 de março, o TRF4 não
aceitará processos em papel, somente por meio eletrônico”,
afirmou Darci.
Fizeram coro com Darci, o conselheiro
federal Luiz Carlos Levenzon e os conselheiros seccionais
Rosângela Maria Herzer dos Santos, Imar Santos Cabeleira
e Nelson Robert Schonardie. “A forma na qual este
sistema está sendo implantado assusta os advogados.
A imposição sem adaptação e
melhorias não é justa para a classe”,
resumiu Rosângela.
Com o registro dos problemas e proposições,
Lamachia sugeriu e o Conselho Seccional deliberou pela criação
de uma comissão para tratar de soluções,
visando o aprimoramento do E-Proc junto ao TRF4. Fazem parte
do grupo de trabalho Albornoz (coordenador), Levenzon, Darci
Norte, Cabeleira, Schonardie e Rosângela. “Esta
comissão terá como finalidade ouvir as sugestões
e reclamações dos advogados sobre a implantação
do processo eletrônico, e posteriormente, informar
os tribunais sobre os fatos”, destacou o presidente
da Ordem gaúcha.
Ouvidoria
Na ocasião, o coordenador das
Salas da OAB/RS nos Foros da Capital, conselheiro seccional
Domingos Baldini Martin, sugeriu a criação
de uma ouvidoria do processo eletrônico, com link
no site da entidade, para sugestões, reclamações
e críticas. A proposta será analisada.
Resposta aos apontamentos da
OAB/RS
Em resposta aos apontamentos da entidade
sobre o E-Proc, o presidente do TRF4, desembargador Vilson
Darós, explicou que alguns questionamentos dos advogados
estão sendo analisados. A disponibilização
de um tutorial para auxiliar os profissionais no uso do
processo eletrônico está em fase de desenvolvimento
e implantação.
Segundo Darós, se, por algum problema,
o sistema ficar inoperante por mais de 30 minutos, já
há previsão de abertura de mais um dia para
os processos que estiverem no último dia do prazo.
“Apesar dessas medidas, continuo
defendendo que o sistema passe por um período de
testes antes de ser utilizado de forma plena, pois o E-Proc
precisa ser aprimorado, para que seja o mais acessível
e confiável possível para os advogados”,
concluiu Lamachia.
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